A partir da primeira semana de maio, é frequente encontrar cidades de Mato Grosso do Sul na lista dos municípios com os menores índices de umidade relativa do ar em todo o país. Na quarta-feira (17), diversos municípios entraram em estado de alerta, e Três Lagoas apresentou o percentual mais crítico em toda a região Centro-Oeste.
Na sexta-feira passada, dia 19, Costa Rica se tornou a décima cidade mais seca do Brasil, com um índice perigoso de apenas 22% de umidade. Segundo meteorologistas não há previsão de chuva no estado até o final deste mês de maio. A situação é preocupante, e a falta de chuvas tem impactado severamente a região.
A diminuição dos níveis de umidade relativa do ar sinaliza a proximidade do período de estiagem em Mato Grosso do Sul. Acompanhada dessa condição, surge a inquietação em relação aos incêndios florestais, os quais já devastaram milhões de hectares de florestas no Estado e ocorrem com frequência durante essa época do ano.
Relatório de Acompanhamento de Incêndios Florestais, divulgado pelo Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e Clima de Mato Grosso do Sul), revela que no ano de 2022 o Estado registrou um total de 2.368 focos de calor. Embora o alerta permaneça, a situação apresenta uma perspectiva favorável em comparação ao ano anterior.
Conforme o referido documento, em 2021 o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) detectou um total de 9.377 focos de calor, representando uma queda de 74,7% em apenas um ano.
No que se refere aos biomas afetados pelos focos de calor, o Cerrado se destacou como o mais atingido, com uma área de 407.845 hectares queimados no ano de 2022, registrando um total de 973 focos de calor.
Em contrapartida, o Pantanal sofreu uma devastação significativa no ano de 2021, com um total de 1.389.375 hectares destruídos. Entretanto, houve uma redução expressiva de 82,2% em 2022, totalizando 246.925 hectares afetados.
Perigo das queimadas para a saúde
Os perigos das queimadas para a saúde são inúmeros e devem ser levados a sério. Quando ocorrem queimadas, a qualidade do ar é severamente afetada, resultando na liberação de poluentes prejudiciais à saúde humana. As partículas finas e os gases tóxicos presentes na fumaça das queimadas podem causar problemas respiratórios, como irritação na garganta, tosse, falta de ar e agravamento de condições pré-existentes, como asma e bronquite.
Além disso, as queimadas também contribuem para o aumento de doenças respiratórias, como pneumonia e broncopneumonia, especialmente em crianças e idosos. A exposição prolongada à fumaça das queimadas pode levar ao desenvolvimento de doenças crônicas, como doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e câncer de pulmão.
Outro perigo das queimadas é a liberação de substâncias químicas nocivas no solo e na água. Essas substâncias podem contaminar lençóis freáticos e rios, prejudicando a fauna e a flora aquática, além de comprometer a qualidade da água potável.
É fundamental adotar medidas efetivas para prevenir e controlar as queimadas, como o uso de técnicas agrícolas sustentáveis, a conscientização da população sobre os riscos e ações de fiscalização e punição para quem realiza queimadas ilegais. A preservação dos ecossistemas naturais e a promoção de práticas de desenvolvimento sustentável são essenciais para proteger a saúde da população e garantir um futuro saudável para as gerações futuras.
Contato para denúncias em Três Lagoas
A SEMEA atua por meio de denúncias. Os cidadãos podem colaborar no combate às queimadas ao relatarem casos de pessoas que estão provocando incêndios em lixos, galhadas e terrenos com vegetação alta, através do telefone (67) 3929-1248. A multa por queimadas em terrenos baldios é de 100 UFIMs por lote. Atualmente, 1 UFIM equivale a R$ 6.0153.
Queimada urbana é crime e pode dar multa e detenção
Você tinha conhecimento de que a prática da queima de resíduos, mesmo em terrenos privados, é considerado um crime? A Lei de Crimes Ambientais, de número 9.605, estabelece no artigo 54 o delito de poluição, que abrange a ação de provocar poluição, colocando em perigo a saúde humana ou a segurança dos animais, bem como causando danos à flora.
Provocar incêndio em mata ou floresta pode gerar prisão em flagrante. A pessoa poderá sair sob fiança para responder ao processo em liberdade. A pena prevista é de dois a quatro anos de reclusão. Além disso, a pessoa poderá ser autuada administrativamente e multada entre 1.000,00 por hectare ou fração em área agropastoril, ou vegetação não protegida por Lei, e R$ 5.000,00 por hectare em vegetação protegida.
Tanto no perímetro rural como urbano, o infrator também poderá responder por crime de poluição, com pena prevista de um a quatro anos de reclusão, bem como ser multado administrativamente e receber multa de R$ 5.000,00 a R$ 50.000.000,00. Em todos os casos, os infratores poderão sofrer ação civil para reparação dos danos ambientais.