Aumenta os rumores de que a Venezuela pode invadir a Guiana para disputar militarmente pela região de Essequibo, que corresponde a mais de 60% daquele país.
O governo do presidente Joe Biden, nos Estados Unidos, enviou comandantes à Guiana para proteger esse pequeno país da América do Sul de uma possível invasão da ditadura de Nicolás Maduro.
A liderança da 1ª Brigada de Assistência às Forças de Segurança do Exército dos Estados Unidos (SFAB) se reuniu com autoridades da Força de Defesa da Guiana (GDF) na segunda-feira, 27, e terça, 28.
“As forças de defesa dos EUA e da Guiana discutiram os próximos compromissos para incluir sessões e processos de planeamento estratégico para melhorar a prontidão militar e as capacidades de ambos os países para responder às ameaças à segurança”, diz nota da embaixada americana na Guiana.
“O SFAB é uma unidade especializada do Exército dos EUA criada para aconselhar e ajudar as nações parceiras. Desde 2022, o SFAB realizou vários exercícios de formação conjuntos com o GDF para reforçar a sua capacidade e capacidade a nível táctico e operacional”, acrescenta.
No início de novembro, Maduro afirmou que fará um referendo neste domingo, 3 de dezembro, para saber se a sua população defende a anexação da região de Essequibo, que representa dois terços do território da Guiana. Essa região é especialmente valiosa devido à descoberta de uma grande reserva de petróleo pela empresa americana ExxonMobil em 2019.
Se levar adiante sua vontade, Maduro estará infringindo a Carta da ONU, que pede o respeito à soberania das nações.
Diante dessa ameaça, os EUA e o Reino Unido anunciaram seu apoio militar à Guiana, caso seja necessário. Prevê-se um fluxo intenso de militares americanos na Guiana durante o mês de dezembro.
Enquanto isso, as tropas venezuelanas foram mobilizadas para a fronteira com a Guiana e iniciaram a construção de uma base aérea.
Antes de iniciar o ataque, o governo do ditador Nicolás Maduro convocou a população para participar de um referendo marcado para o dia 3 de dezembro, no qual as pessoas poderão dizer se apoiam ou não a criação de uma nova província chamada Guayana Esequiba, que hoje pertence à Guiana.
No local, formado por 160 mil quilômetros, há reservas naturais importantes e riquíssimas, como as reservas de petróleo estimadas em 11 bilhões de barris. Na proposta de Maduro, os 125 mil habitantes daquela região receberiam a nacionalidade venezuelana.
Diante do conflito armado que pode se instalar, o senador Hiran Gonçalves (PP) pediu ao Ministério da Defesa o reforço das Forças Armadas em Pacaraima, cidade brasileira na fronteira com a Venezuela.
Como resposta, o ministro José Mucio garantiu que irá reforçar a segurança da região, uma vez que a cidade localizada no norte do estado de Roraima é um local estratégico de acesso ao Essequibo.
ENTENDA A DISPUTA
A Guiana tem um laudo assinado pela França de 1899 que lhe concede o território reivindicado pela Venezuela. O documento em questão estabelece todas as fronteiras atuais do país.
Já o regime de Maduro deseja as terras guianas alegando que um tratado feito com o Reino Unido em 1966, antes da independência de Guiana, lhe concede todo o território de Essequibo.
Desde a assinatura deste acordo, a Venezuela disputa a região, mas a briga ficou mais acirrada a partir de 2015, depois que a companhia americana ExxonMobil descobriu campos de petróleo na localidade.
