Abuso sexual, asfixia com bolsa, choques elétricos, imersão em água, espancamentos; É assim que Maduro tortura prisioneiros políticos: Relatório da ONU

A Missão Internacional Independente de Apuramento de Fatos da ONU alertou para um aumento alarmante da repressão na Venezuela, com o regime de Nicolás Maduro a intensificar os seus esforços para reprimir qualquer oposição pacífica. O relatório mais recente da missão documenta como a ditadura recorreu à repressão sistemática que inclui crimes contra a humanidade, afetando gravemente os direitos humanos dos cidadãos venezuelanos.

O relatório, que abrange o período entre Setembro de 2023 e Agosto de 2024, revela um padrão coordenado de perseguição política que visa silenciar opositores e críticos do regime. Segundo Marta Valiñas, presidente da Missão, “estamos testemunhando uma intensificação sem precedentes do aparato repressivo do Estado, que visa qualquer dissidência, consolidando o controle do poder em detrimento dos direitos fundamentais do povo venezuelano”.

Repressão antes e depois das eleições

O relatório destaca que a repressão piorou antes e depois das eleições presidenciais de Julho de 2024, onde a suposta vitória de Maduro foi amplamente questionada. Durante esse período, a missão documentou a detenção arbitrária de pelo menos 48 pessoas, incluindo membros da oposição, jornalistas e defensores dos direitos humanos, acusados ​​de conspiração sem provas claras.

Crimes contra a humanidade e subordinação do judiciário

O relatório reafirma que o sistema judicial na Venezuela perdeu toda a independência, funcionando como um braço da ditadura para legitimar a repressão. O Supremo Tribunal de Justiça é acusado de ser um instrumento fundamental na execução de um plano repressivo, que deixa a população num estado de indefesa.

Patricia Tappatá, também especialista na missão, alertou sobre a gravidade da situação: “O clima de medo se intensificou. “Qualquer pessoa que critique ou se oponha a Maduro é considerada inimiga do Estado e corre o risco de ser presa, torturada ou sujeita a outras formas de maus-tratos”.

Reações internacionais e o futuro da Venezuela

Apesar dos apelos internacionais para que o regime respeite os direitos humanos, o relatório reflecte um endurecimento da posição do regime de Maduro, que se recusa a ceder às pressões externas. A ONU conclui que os crimes documentados, incluindo os de perseguição política, constituem um ataque sistemático contra a oposição e a sociedade civil.

O relatório acrescenta um aviso sombrio: a repressão poderá continuar a aumentar à medida que a ditadura procura consolidar o seu controlo absoluto sobre a nação, deixando a população venezuelana num estado de vulnerabilidade constante.

A crise dos direitos humanos na Venezuela continua a atrair a atenção global, à medida que a comunidade internacional debate como responder à crescente repressão que, segundo a ONU, atingiu um nível sem precedentes na história recente do país.