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Internação involuntária volta ao debate em Três Lagoas após fala do vereador Fernando Jurado

Fernando Jurado celebrou com grande emoção os 10 anos de fundação da Associação de Jovens Empreendedores (AJE)

Três Lagoas (MS) – O debate sobre a situação das pessoas em situação de rua voltou ao centro das atenções em Três Lagoas após o vereador Fernando Jurado usar a tribuna da Câmara Municipal nesta terça-feira (24) para defender a internação involuntária como alternativa emergencial para casos extremos de vulnerabilidade social, dependência química e transtornos mentais.


A fala do parlamentar repercutiu nas redes sociais, especialmente após a publicação de um vídeo no qual ele aborda a complexidade do tema. Jurado afirmou compreender o sofrimento dessas pessoas, mas foi categórico ao dizer que, nos casos em que o indivíduo perde a capacidade de discernimento, a internação involuntária pode ser o único meio de interromper o ciclo de degradação e sofrimento.
“Não podemos continuar assistindo essas pessoas morrendo nas ruas, escravizadas pelo vício e completamente alheias à própria condição.

A internação involuntária, feita com responsabilidade e critérios técnicos, pode ser um ponto de partida para a recuperação dessas vidas”, declarou o vereador.

Durante sua fala, ele recebeu apartes de diversos colegas, que também se sensibilizaram com o aumento da população em situação de rua na cidade. Jurado destacou que a reação do público nas redes sociais confirmou que parte significativa da população enxerga essa medida como a única saída viável para casos mais graves, onde o consentimento do indivíduo se torna inviável devido ao quadro clínico.
O vereador também criticou o que classificou como “obstáculos judiciais” à adoção dessa medida. Segundo ele, a interpretação atual da Lei Federal nº 10.216/2001 pelo Judiciário tem imposto limites que impedem ações mais eficazes por parte do poder público.

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Ele propôs que o município busque estratégias legais mais ousadas, com base em experiências exitosas de cidades como Balneário Camboriú (SC) e Florianópolis (SC) , que criaram protocolos próprios para a internação humanizada.


Evidências técnicas apoiam visão do vereador
Estudos recentes dão respaldo à defesa de Jurado. Uma revisão publicada em 2025 pela Revista Perspectivas em Medicina Legal e Perícia Médica concluiu que a internação involuntária pode ser eficaz quando inserida em políticas públicas mais amplas, com acolhimento multiprofissional e acompanhamento pós-alta. Os autores destacam que a medida é especialmente relevante em casos de esquizofrenia e dependência química severa.


Outro levantamento, da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, identificou que mais de 64 mil internações involuntárias ocorreram entre 2003 e 2020, a maioria motivada por surtos psicóticos e abandono social.


“Não é punição, é resgate”
Jurado finalizou seu discurso reforçando que não propõe punição, mas uma ação de cuidado e resgate humano. “A cidade não pode continuar de braços cruzados. Temos que agir com coragem e compaixão, oferecendo uma porta de saída para quem já não consegue pedi-la.”


A proposta promete dividir opiniões, mas também abriu espaço para um debate mais profundo sobre o papel do poder público, dos serviços de saúde mental e do sistema judiciário na busca por soluções humanizadas e eficazes.

Fonte Assecon Fernando Jurado