O evento começou com a fala do presidente do Poder Legislativo, que acolheu a todos os presentes e defendeu a importância da temática. Tonhão também apresentou os membros do Parlamento Jovem e da Ordem DeMolay, enfatizando o valor de ter adolescentes presentes no seminário.
Na sequência, a delegada Sayara Quinteiro, da Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM), apresentou a história de Araceli, a menina de oito anos que saiu mais cedo da escola e nunca chegou em casa. “Foi o caso dela, há 53 anos atrás, no Espírito Santo, que inspirou toda essa campanha do maio laranja”, contou.
Depois, Sayara explicou que a DAM é vista apenas como um lugar para acolher mulheres adultas vítimas de violência doméstica: “mas nós atendemos também vítimas crianças meninas”. A delegada ainda relatou os horrores que investigam, como homens procurando na deep web por uma iguaria: sex0 com bebês. “Isso é fruto do consumo de p0rn0grafia, que vai viciando e levando, cada vez mais, para busca de conteúdos mais pesados, como pedofilia, necrofilia e zoofilia”, disse Quinteiro.
A delegada finalizou pedindo: “não duvidem das crianças! Quando alguma relatar algo, levem a sério, encaminhem ela para algum órgão responsável, com profissionais que saberão atender adequadamente”.
Fernando Garcia de Brito, secretário de Assistência Social, usou a palavra para dizer que a prefeitura conta com profissionais qualificados. “Se não conseguem falar sobre o assunto em casa, com a família, levem até uma rede de proteção”, enfatizou. Fernando também agradeceu sua equipe pelo trabalho de proteção às crianças.
O vereador Professor Pedrinho Junior declarou ter um carinho enorme pela causa, “assim como esta casa de leis, que preza e tem muita atenção com a juventude três-lagoense”. O vereador reforçou o lema: “Infância não se toca, se protege”.
Mariana Thiago, presidente do Parlamento Jovem usou a tribuna representando os demais colegas: “o assunto de hoje não é nada confortável ou leve, mas que deve ser tratado. E não é sobre saber reconhecer os sinais, é sobre não ignorar quando eles chegam até nós; não é sobre entender o direito, é sobre nos calar quando sabemos que eles são violados; não é sobre conhecer o caminho da ajuda, mas sim sobre ter coragem de apoiar as pessoas que sofrem e passam por situações como essas. Eu acredito numa juventude que se posiciona. Não se calem. Denunciem”.
PALESTRAS
O primeiro palestrante, o juiz Roberto Hipólito da Silva Junior, da Vara da Infância e da Juventude, falou sobre a Lei nº13.431/2017, que estabelece o sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência. “Ela normatiza e organiza mecanismos de proteção, prevenção e assistência, garantindo seus direitos fundamentais à saúde física e mental, desenvolvimento moral, intelectual e social, e proteção integral. Em outras palavras: tenta fazer com que o sistema que girava em torno das necessidades das instituições, passe a girar em torno da proteção da vítima em desenvolvimento”, explicou o juiz.
Roberto Hipólito fez uma metáfora: está chovendo e as instituições tem os seus guarda-chuvas. A criança vítima tinha que ficar transitando de uma guarda-chuva ao outro. Com a lei, nasce uma rede para que ela não tenha que reviver o caso várias vezes, que seja resolvido o caso o mais rápido e que ela não fique se molhando na chuva ao passar de órgão em órgão.
O técnico e agente de proteção do Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (SEST/SENAT), Jorge Fachini, segundo palestrante da noite, começou reforçando que o tema do seminário “não deve ser fomentado só em maio, mas todo dia”. Jorge contou que, em 2026, o projeto de proteção do Serviço celebra 10 anos. “É uma ação em parceria com a Childhood Brasil, através do programa “Na mão certa: o motorista, por estar nas estradas, nas ruas, é chamado para ser um agente protetor através da denúncia, que é a principal ferramenta para os órgãos competentes darem início a uma investigação”.
O técnico também falou sobre os tipos de violência que uma criança pode sofrer: “negligência (como falta de acesso à moradia, comida, estudo), física (a mais comum de se presenciar e atestar), psicológica (que pode ser a mais danosa por causar marcas para o resto da vida) e a sexual (a mais grave de todos). Esta pode ser classificada como abuso ou exploração sexual (que tem aumentado muito online), sendo a maioria dos casos cometidos dentro da própria família”.
Jorge apresentou a seguinte comparação: “se você deixa uma criança sozinha na internet hoje, é como deixar ele sozinha numa praça pública”. Então, mostrou o app e ações que desenvolvem para conscientizar motoristas e adultos sobre o cuidado e atenção com as crianças.