Prefeitura de Três Lagoas recebe Petrobras para discutir retomada do Projeto UFN3

O Prefeito de Três Lagoas, Angelo Guerreiro, e o Presidente da Câmara Municipal, Dr. Cassiano Maia, futuro prefeito, receberam representantes da Petrobras em uma reunião estratégica para discutir a retomada do projeto de fertilizantes nitrogenados, UFN-3. O encontro, realizado na Sala de Reuniões do Gabinete do Prefeito, nesta sexta-feira, 8 de novembro.

A pauta da reunião foi a atualização da fase atual do Projeto UFN3, com foco no planejamento de retomada por parte da Petrobras para a UFN-3 e no apoio da prefeitura de Três Lagoas por meio de incentivos e ajustes de prazos para viabilizar a continuidade do projeto. O gerente do Projeto de Reavaliação da UFN-3, Fábio Queiroz, e o gerente de implantação do projeto, Leonardo Curty, conduziram a apresentação da Petrobras, acompanhados pelo gerente do Tributário, Felipe Watson, e o representante da gerência de relacionamento institucional, Márcio Oliveira. 

A Petrobras reiterou o potencial do projeto para o desenvolvimento econômico de Três Lagoas e região e destacou a importância do apoio local para sua concretização. A empresa anunciou que as licitações para retomada da obra foram instauradas a partir de 1º de novembro, seguindo o cronograma previsto e aguardando a aprovação final dos investimentos pelas autoridades competentes em 2025.

 Em apoio ao avanço à continuidade do projeto, o prefeito Angelo Guerreiro garantiu o projeto de lei que trata da doação da área onde será desenvolvida a UFN-3, além dos incentivos necessários para o avanço da obra. “Estamos ansiosos para viabilizar o que for necessário, dentro de nossas possibilidades, para que o projeto avance e traga crescimento para Três Lagoas”, afirmou.

Dr. Cassiano Maia também destacou a importância da UFN-3 para a cidade, afirmando que a retomada do projeto abrirá portas para novas oportunidades de emprego e desenvolvimento.

Sobre UFN-3

A UFN-3, ou Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III, é uma obra localizada em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, idealizada pela Petrobras para produzir fertilizantes nitrogenados a partir do gás natural, visando suprir parte da demanda agrícola brasileira. Iniciada em 2011, a construção foi interrompida em 2014, com cerca de 80% da obra concluída.

A paralisação da UFN-3, Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III, foi envolvida em investigações, que revelaram esquemas de corrupção e superfaturamento em contratos da Petrobras. Durante as investigações, surgiram evidências de que empreiteiras envolvidas na construção da UFN-3 pagaram propinas alimentando intermediário da Petrobras em troca de contratos e vantagens.

Essas práticas contribuíram para que o custo da obra fosse inflado, e a paralisação, em 2014, também foi consequência das dificuldades financeiras enfrentadas pela Petrobras devido aos escândalos de corrupção.

O caso UFN-3 simboliza os impactos negativos da corrupção em grandes projetos de infraestrutura, como o atraso econômico e os problemas sociais para Três Lagoas, que perdeu empregos e oportunidades de desenvolvimento, inadimplência local.

A partir de então, a obra permaneceu parada por uma década, com tentativas de venda e transferência de operação para empresas privadas.

Desde então, a UFN3 permanece inacabada, gerando expectativa econômica para Três Lagoas e a região, pois a planta pode gerar empregos e atrair investimentos.

A conclusão das obras e funcionamento da UFN3 é muito aguardada por três-lagoenses e autoridades do Mato Grosso do Sul devido a sua importância para fortalecer a economia da região, com geração de empregos e aumento de renda, além de impulsionar as atividades econômicas ao redor.

A estimativa é que sejam gerados até oito mil empregos diretos e indiretos com as obras de finalização da planta.

Na época o valor orçado era de R$ 3,9 bilhões, sendo projetada para ser a maior fábrica de fertilizantes da América Latina, tendo como um dos objetivos reduzir a dependência do Brasil na importação do produto nitrogenado, dando mais autonomia nacional no setor de fertilizantes. O projeto previa o consumo de 2,3 milhões de m³ de gás natural por dia, fazendo a separação e os transformando em 3,6 mil toneladas de ureia e até 2,2 mil toneladas de amônia.

Por Yuri Spazzapan